sábado, 24 de maio de 2008

Capítulo 51

Os e-mails que eu não mandei

Totalmente normal e característico do ser humano começar algo e não terminar. Principalmente quando o ser sou eu. Fiquei assustada com a quantidade de rascunhos que acumulei nos últimos tempos. Daqui a pouco minha caixa de entrada de e-mails estará perdendo pra de rascunhos. Tantos e-mails que eu nunca mandei. Decidi fazer uma faxina, mandar o que ficou por mandar ou então descartar. Percebi que já não cabia mandar alguns. E que também não podia simplesmente descartar outros que fiquei hooooras escrevendo, escolhendo as melhores palavras. Não fiz nem uma coisa, nem outra. Todos os rascunhos continuam intactos. É, até virtualmente tenho um certo apego com as minhas coisinhas. Ou então, sou péssima na hora da faxina mesmo.

Capítulo 50

Papo que rolou com uma amiga. Ela me contava que viajaria neste feriado e que haveria uma festa junina na cidade:

- Festa junina? Estamos em maio ainda. Festa junina é só em junho ou julho.

- Não Ju, é porque este ano tudo tá acontecendo mais cedo. Repara, carnaval, páscoa.

- Ah, é verdade, pode ser então.

- O ano novo por exemplo vai cair no dia 1º de dezembro.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Capítulo 49

Hoje foi um dia bem especial. Andei sozinha de trem pela primeira vez.
A primeira vez mesmo que pisei num trem foi há dois meses, mas nem valeu, o trajeto Barra Funda-Lapa é curtíssimo e não provocou uma sensação digna de primeira vez. Lá estava eu hoje esperando pela pior impressão que alguém poderia ter de algo. No entanto, os deuses conspiraram a favor do trem, rss. Cheguei na plataforma e num segundo ele apareceu, bem conservado, limpo, humm o trem não é tão ruim assim como dizem, tem até música (super agradável diga-se de passagem) embalando a viagem. Seis estações. Passou rápido, eu tava curtindo passear de trem, olhar a cidade de um jeito que eu nunca tinha reparado, colada ao rio Pinheiros. O novo meio de transporte saiu-se muito bem pra uma primeira vez.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Capítulo 48

A saudade chega quando menos se espera. E nem sempre sabemos como agir.
Toda vez que a saudade batia, ela sentia a mão coçar e a vontade de discar todos aqueles números aumentar.
Ela tirava o telefone do gancho e o som da linha era a trilha sonora do filme que passava pela sua cabeça: beijos, abraços, cumplicidade no olhar, troca noturna de mensagens, e-mails apaixonados, passeios no parque, fim de semana no cinema e depois uma cerveja.
A cada momento que passava ela tinha mais vontade de ligar, sentia que seu coração batia mais forte, queria cada vez mais ligar e gritar que a saudade que sentia era do caralho e que acreditava piamente que eles mereciam uma segunda chance juntos.
De repente suas dúvidas passaram a ser outras. Será que ele ainda se lembrava de algo? Sentia falta?E se a vida dele já tivesse seguido adiante? E se ele conheceu alguém?
"Por que que toda vez que eu acredito ter dado um passo a frente, na verdade voltei dois e cada vez mais ligada ao passado?"
A linha já havia caído, no entanto ela ainda segurava o telefone. "Se ele quisesse um contato, ou sentisse falta, já teria ligado". Toda sua vontade foi se acalmando. Lentamente colocou o gancho no lugar. Não ia ligar. Mas a saudade ainda batia forte. E ficou batendo, batendo, batendo...

Capítulo 47

Um dia você chega no trabalho e descobre que está sem telefone, porque alguém o usou de maneira tão delicada, enquanto você não estava, que ele simplesmente não funciona mais. Aí vc liga pro suporte da empresa (suuuuuper eficiente) e fica sabendo que só no final da tarde, no máximo amanhã de manhã alguém irá arrumá-lo. E as minhas entrevistas, eu faço como? Como é que fico um dia sem telefone??? Bom, pra piorar você recebe um e-mail de uma pessoa que diz ter feito mestrado em Harvad, mas escreve pérolas como: geito; " se poço publicar"; "estarei esperando respostas". Não vou gastar minhas palavras comentando tais absurdos.
Bem, no fim das contas, você respira fundo e se lembra que ainda é apenas segunda-feira. E faz muito frio lá fora.

domingo, 4 de maio de 2008

Capítulo 46

Ele estava parado ao lado da catraca da estação de trem. Barba por fazer, cabelo na altura dos ombros, mochila nas costas. Parecia esperar alguém ouvindo mp3 e observando o mapa dos arredores da estação. Já estava bem impaciente quando a avistou. Ela subia as escadas com uma coca-cola nas mãos, sorriu e acenou pra ele.

Ele- Demorou. - disse depois de um rápido beijo.

Ela apenas sorriu.

Ele- Isso teve graça?

Ela- Não, isso não. Mas o que eu tava pensando antes...

Ele odiava esses joguinhos nos quais ela era a rainha; deixava frases incompletas, informações pela metade pra que ele fizesse mil perguntas e parecesse superinteressado no assunto. No entanto, a curiosidade dele sempre vencia:

Ele - E o que é que você tava pensando?

Ela- Tava lembrando da primeira vez que a gente saiu...

Ele- ... na qual você também chegou atrasada.

Ela- Não cheguei não. Cheguei 15 minutos antes do combinado. E como você ainda não tava, fiz uma horinha na livraria e me atrasei, questão de segundos. Tá, mas nem era isso que eu ia falar.

Ele - Vamos andando e diz de uma vez o que era. - disse enquanto passava o braço sobre os ombros dela.

Ela- Então, lembrei que naquele dia, enquanto descia a escada rolante do shopping e vi você ali sentado, eu pensei em ir embora.

Ele - Ir embora como?

Ela- Ué, indo, desistir do encontro, entendeu?

Ele- Não, você deve ser maluca.

Ela- Só fui sincera. Ah, não era pra você ficar bravo. Se soubesse que voce ia ficar com essa cara nem tinha falado nada.

Ele - Queria ver se fosse você, o que você pensaria se eu dissesse que um dia pensei um ir embora?

Ela - Não foi só uma vez.

Ele - O que??

Ela- Na verdade já pensei em ir embora várias vezes. Diversas vezes quando estava indo te encontrar a idéia de mudar a direção e seguir outro caminho passou pela minha cabeça.

Ele-É que você também sempre foi do tipo que tem medo de se prender a alguém.

Ela - Aí é que está. Por mais comprometido que você esteja com alguém, sempre terão outras possibilidades, você não está preso. Somos livres em período integral, rss.

Ele - Ah, você gosta de ser livre, por que entao você nunca foi embora então?

Ela - Por que? Essa pergunta é ridícula de tão óbvia.

Ele - Ah, ridícula é você. - Ele deu as costas e se afastou dela.

Ela- Ei, onde você vai?

Ele - Vou te ajudar a descobrir como seria sua vida sem mim.

O trem chega. Entram no mesmo vagão, porém cada um por uma porta. Sentam-se longe, mas mesmo assim estão no campo de visão um do outro. O trem segue. Ela tira papel e caneta de dentro da bolsa e escreve. O trem chega na próxima estação. Ela se levanta, caminha até ele, e sem dizer nada deixa um bilhete sobre sua perna e sai do trem. Ele fez que não a conhecia. Quando ela virou as costas, ele acompanhou até onde seu olhar conseguiu vê-la, queria ter certeza que tinha ido mesmo. Abriu o bilhete e leu. "Se mil vezes tivesse a opção de escolha, mil vezes escolheria você."
O trem seguiu.