quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Capítulo 315

"Que cara brava', "você parece brava", e outras frases do tipo tenho ouvido frequentemente. Como assim? Eu brava? Tenho uma leve lembrança de quando isso pode ter começado, muito provavelmente com o meu início no jornal. Garota, nova, estagiária, que vinha de uma vida sem grandes problemas e preocupações e consequentemente, estava sempre com um sorriso no rosto. - A vida não me tirou nenhum dos meus motivos para sorrir, pelo contrário, me deu mais e melhores, porém, a cara de brava (para alguns) é fato - . Algumas colegas e amigas que já trabalhavam - ou tinham trabalhado - em redação aconselharam a como sobreviver em uma. "Oi? Peraí, eu só vou trabalhar num jornal, não vou pra guerra." Mas pelo que me disseram não era tão simples assim e tinha de parar de sorrir a toda hora porque alguns homens poderiam achar que estava dando bola, "você não sabe como os jornalistas são", e além disso, sorrir a toda hora poderia transmitir falta de personalidade, a ideia de uma garota boba, enfim, seja séria a maior parte do tempo. Ufa, sorrir depois dos 20 se tornou uma coisa complexa no trabalho. Fato comprovado ou não, com o tempo, observei que outras garotas adotavam a mesma "tática" - ou então não sorriam por serem tristes ou não terem dentes, enfim - e percebi que é possível um top 5 com as caras de brava da redação. Não, o primeiro lugar não é meu, tampouco o segundo, quiça o terceiro. Confesso: dou minhas derrapadas, vira e mexe, lá estou sorrindo quando devia estar séria. É difícil, mas que culpa tenho eu se é tão bom sorrir?