sexta-feira, 31 de maio de 2013

Capítulo 329

Velório é o lugar que a gente sempre encontra alguém que não via há séculos. Ela se aproximou e disse com toda certeza que eu não me lembraria dela. De fato, tinha tudo para não me lembrar: era uma ex-funcionária da empresa do meu avô; eu deveria ter uns seis anos na última vez que a vi e nunca mais soube nada sobre ela. Mas eu me lembrava perfeitamente da Luzia. Ela me convidou para ser dama de honra do seu casamento, no início dos anos 1990. Meus pais declinaram. Tive que ouvir que eu comia as unhas e isso era inadmissível para uma daminha e que eles não queriam passar vergonha. Não me dei por vencida. Disse, jurei, prometi que nunca mais roeria e nem comeria unha alguma. Não deu certo. A Luzia ainda insistiu com meu pai, mas também não deu certo. Nunca mais em toda minha vida eu comi uma unha – nem da mão e nem do pé. Também nunca entrei em uma igreja. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Capítulo 328

Muitos colegas postaram esse link ontem no Facebook. Tenho um pouco de preguiça dos textos modinhas que rolam pela rede social, mas me rendi e fui ler, atraída especialmente pelo título. Rolou uma identificação com a parte "nos acostumamos com as gracinhas que ouvimos por aí e deixamos pra lá". Afinal, é isso que nos ensinaram um dia, não é? "Finge que não é com vc". Pois bem, por muitos anos eu fingi que não era comigo. E todas as bobagens e palavras nojentas (desculpa, mas não dá nem pra classificar como cantada) nunca fizeram com que eu me sentisse mais ou menos bonita. Minha auto-estima nunca mudou um grau quando ouço uma gracinha. De uns tempos pra cá, cansei de fingir que não era comigo. O babaca que mexe com uma mulher na rua precisa saber que é babaca, pois com certeza muitos não sabem. Às vezes eu respondo com uma grosseria. Muitos de vocês vão ler e pensarão que é exagero, que as mulheres hoje em dia estão pirando, etc, etc. Não, não é exagero. Você, homem, pergunte para sua irmã, namorada, esposa, filha, quantas vezes por dia ela recebe uma buzinada, quantas vezes mexem com ela. E, depois, responda como é com você. O resultado será bem distinto. Tenho fé em uma mudança de comportamento. Acredito que mulheres e homens podem criar filhos melhores para a sociedade, sem essa cultura de que homem que é homem faz isso ou aquilo. Esse assunto não tem a ver com machismo ou feminismo, é só uma questão de educação. Segue o link para a matéria: http://papodehomem.com.br/como-se-sente-uma-mulher/