quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Capítulo 341

Acho que aquela velha frase “aqui se faz, aqui se paga” dá as caras quando a gente menos imagina. Você se pergunta “por que isso está acontecendo comigo?” E lá vem a voz do além ou uma lembrança de um passado bem passado que te mostra que você já fez isso algum dia. Hoje você é considerado uma pessoa “carinhosa demais” nas redes sociais, que não tem a menor vergonha de manter conversas normais em público com o namorado (a). A explicação pode vir de quase uma década atrás. Nos longínquos tempos de Orkut, quando qualquer demonstração de afeto era como uma tatuagem no rosto. Quem não se lembra dos depoimentos? Ali, expostos no seu perfil. Acho que está aí a explicação: um dia você não sabia onde enfiar a cara depois de receber um depoimento daqueles. Comete orkuticídio meses depois e em pouco tempo volta, porém, o Orkut não era tão evoluído quanto ao Facebook, que permite que o entra e sai mantenha todo o seu histórico. Você perde tudo que havia lá, inclusive aquele depoimento. Dele só restou uma vaga lembrança de que começava com algo como: fico feliz de ter uma história com você, alguns elogios e mais algumas frases que a memória não guardou. Você demora um tempo enorme para aceitar esse tipo de declaração. Se arrepende depois da reação que não era pra tanto e aprende a aceitar toda demonstração de afeto. Coisa boa nunca é demais. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Capítulo 340

O mundo dos relacionamentos não é perfeito. Basta você conhecer um pouco mais alguém que lá vem uma confidencia: “Fulano e ótimo marido, mas deixa a desejar como pai”; “Sicrano sempre se esquece de pagar as contas. É tão desorganizado”; “Beltrano saí para tomar uma cervejinha três vezes por semana e volta daquele jeito”. Claro que são exemplos, alguns verdadeiros, outros não. Mas em algum momento você ouve algo que demonstra que a perfeição está longe deste mundo. Há casais que você nunca ouvirá um pio. (Toda minha admiração para quem sabe ser discreto nesta vida). Você ouve a confissão e pensa “Ainda bem que o meu namorado (a) não é assim”. Bom, ele tem suas particularidades também, mas não essas. E é engraçado como a gente sonha com uma perfeição que tampouco oferecemos. O quanto relevamos os defeitos do outro porque também temos os nossos? Praticar o exercício do amor não é fácil, não porque o amor é sofrido e pesado. Nada disso. É que em algum momento você vai se deparar com a verdade, não há ser humano perfeito. Pode ser um golpe e diminuir a admiração, mas pode também aumentar por tirar o peso das costas de levar uma vida perfeita. E cria uma sensação natural de querer oferecer o seu melhor para o próximo, ser a companhia mais inteligente, engraçada, compreensiva, leal e etc.


Capítulo 339

Desejo irresistível de ser irresistivelmente desejada. Especialmente em dias frios como faz hoje.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Capítulo 338

Era só um retorno na dermatologista, mas ao chegar no consultório você percebeu que não seria nada simples. Sala cheia e uma espera de mais ou menos quarenta e cinco minutos. Sem nada para ler, você senta e dá uma chance para a programação matinal da tv. Afinal, entre afundar a cara na tela do celular ou da televisão, fico com a segunda.

O programa da Fátima Bernardes estava começando. Você se arrepende da sua escolha. O tema do dia é “por que há tantas mulheres solteiras?”. Você se arrepende de ter se arrependido. O tema é interessante. A primeira convidada, que se encaixa no perfil, e não faço a menor ideia quem seja, já começa com uma bola fora: “As mulheres estão sozinhas porque há muitos homossexuais”. Oi? A apresentadora rapidamente a lembra que também há casais de lésbicas, o que equilibraria a defasagem de homens. E outra, sempre existiu homossexual, isso não é um fenômeno do século 21. Quer dizer que em 1789 não havia um gay sequer e todo mundo vivia feliz para sempre? Menos, vamos argumentar melhor.


Enfim, saí paciente, entra representante da indústria farmacêutica e você continua a esperar. O debate entra na questão “a culpa é das mulheres porque elas decidiram crescer profissionalmente e abriram mão da vida pessoal”. Os convidados bateram nessa tecla super batida até eu ser atendida. Entrei e saí do consultório e continuei pensando nisso. Há mesmo muitas mulheres e homens também solteiros. Há muita gente legal mesmo, mas por que estão sozinhos? O quanto eles estão dispostas a estarem de verdade em um relacionamento? Acho que os solteiros cometem os mesmos erros que aqueles que estão em um relacionamento. Vivemos a geração do “eu quero, eu posso, eu tenho e não abro mão de nada”. Tudo é muito fácil. Antes dos 30 você viaja para Europa mais de uma vez se quiser, tem certa estabilidade profissional, carro e apartamento próprios, etc, etc.. Aí você pensa em se relacionar com alguém que seja lindo (bonito não serve mais), inteligente, bem humorado, bem sucedido profissionalmente, que tenha um corpo legal (do mesmo jeito que os homens “observam o corpo feminino, as mulheres também reparam. E como!!!), tenha carro, que goste de sair, de dançar, de conversar sobre moda, viagem, trabalho, economia, política, os filmes da semana, que converse sobre tudo com domínio de tudo, alguém que não fume, alguém que não discorde de você, alguém que durma sempre com traje sexy e acorde mais lindo que o modelo de capa de revista, alguém que tenha todos os mesmos gostos que você, alguém que ache o máximo você ligar no dia seguinte, e no outro e continuar ligando até uma boa alma dizer “ele não está afim de você” e você achar que estava sendo autêntica, esse é seu jeito e vai continuar fazendo isso. Sempre!!! É sufocante!! A pressão que há no mercado de trabalho migrou. Os profissionais loucos que fazem parte disso estão levando as exigências para as relações, porque além de tudo: “eu sou maravilhoso (a), mamãe passou talquinho em mim e eu quero que seja assim e ponto final”. Desejar demais em um mundo com tantas imperfeições é tarefa para um sonhador. Quando você vai alcançar o seu objetivo? Falta muita coisa para ser perfeito? Falta, é óbvio, mas trocar de parceiro (a) a cada pequena coisinha que não é do seu gosto é pedir para ficar sozinho. E quando encontrar aquele alguém que faz se coração parar e todo blabla, cuide bem, trate bem, morra de tesão e dê o maior valor sempre, porque não ta fácil lá fora não. Bom, dizem por aí... 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Capítulo 337

Da série Internet não é Lãs Vegas, o que acontece no mundo virtual segue para a vida real:  o submundo nas redes sociais formado por direct messages e os encantadores talks com segundas, terceiras e quartas intenções.  Até quando, né? 

Capítulo 336

O pior é a pessoa encarregar o tempo de curar tudo e esquecer de pedir desculpas. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Capítulo 335

Amor. Amor é tudo aquilo que acontece entre o momento do nascimento e da morte.
Ou até antes e depois. Amor é o que te move, que te faz acreditar.
O amor te faz mudar de casa, de trabalho, de cidade, de país.
O amor resiste à briga, desentendimento, opinião contrária e à distância.
O amor te faz olhar o outro e sempre imaginar que tem uma trilha sonora nessa história.
O amor te faz querer estar sempre em Paris. Ou em Roma, Veneza, Barcelona, Buenos Aires, considerando Tóquio, Nova York ou São Paulo, desde que esteja perto.
O amor te faz querer ser melhor. O amor te faz desejar mais.
O amor nos faz entender, perdoar, superar e relevar.
O amor te faz tentar mais uma vez. Outra vez. E de novo e de novo. Por quantas vezes ainda o amor estiver ali.
O amor te faz fazer coisas que você nunca sonhou e nem imaginou que seria capaz.
O amor te faz ir ao show de uma banda da qual você não é fã e faz assistir a filmes que você não viu e sabe que não gostará.
O amor te faz encarar a realidade com contas, planejamento de viagens e rotina.
O amor te faz espalhar fotos felizes pela casa.
O amor conserva “butterflies in my stomach” (assim, em inglês mesmo, porque a versão traduzida é bem feia).
O amor aquece. O amor te traz plenitude. O amor te faz chorar de alegria.
O amor te proporciona a deliciosa sensação de aconchego.
O amor te faz falar e escrever pieguices. Às vezes, em público e você não se importa. Você sabe como a vida é sem graça sem amor, afinal, gastou quase ¼ dela procurando um.
O amor é para ser vivido intensamente. Você faz escolhas por amor. Você escolhe uma pessoa, porque amor é 1+1.
O amor te faz acreditar em reencarnação só pela chance de poder encontrar o outro de novo.

O amor te mostra que não foi por acaso e que coincidências não existem.