quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Capítulo 346

Onde foram parar as pessoas boas de papo? É, aquelas pessoas que gostavam de conversar sobre cultura, esporte, cotidiano e coisas banais da vida? E eu não falo de porteiros, feirantes e colegas de trabalho. E nem de conversas de mesa de bar, porque quando tem cerveja tudo flui incrivelmente bem.

Não sei quando e nem o que exatamente aconteceu, mas há um paradoxo aí. Você pergunta coisas simples do tipo “foi com quem ao cinema?” ou “fez o que ontem?”, “vc vai pra onde depois daqui?”. Pronto, logo vem a resposta: “isso é muito pessoal”. ISSO É MUITO PESSOAL. Bom, vai ecoar na sua cabeça por um bom tempo. Aí eu me questiono, se isso é muito pessoal para ser perguntado para uma pessoa próxima, vou perguntar o que? Vou manter conversa de porteiro com os próximos também? “É, vai chover... Tá muito quente... Vai faltar água...blablabla”. Vou nem comentar quando a gente é ignorada por causa do celular ou da televisão. Falta de educação nível master. Sabe aquele momento “ah, pode falar que eu tô te ouvindo”. Você fala. A pessoa responde: “Que vc disse mesmo?”

Conversar se tornou algo tão raro e difícil. Você tem que ficar cheia de dedos pra não ser inconveniente, mas não vê muito sentido porque essas pessoas fazem parte das que mais se expõem nas redes sociais. Você sabe a opinião política – ainda que não queira – pois a pessoa compartilha tudo sobre o seu candidato, você sabe quando ela está numa pior, porque são muitas as frases de auto-ajuda; você sabe quando ela está afim de ser polêmica, além das fotos de férias, na praia, passeios de final de semana, selfie, do cachorro, do papagaio, dos filhos, de tudo!! Resumindo, muita exposição de graça e pra isso basta adicionar a sua rede de amigos.

Ok, é do direito de cada um querer ser discreto no mundo real (ahãn, senta lá, Cláudia) e manter-se super exposto no mundo virtual. E talvez eu seja uma chata que faz muitas perguntas, que não se cansa de conversar e que sempre tem algo muito incrível pra contar do seu dia – sem necessidades de colo, confetes ou afins aqui. Só uma conclusão séria. Mas, olha, que tá faltando gente boa de papo neste mundo, isso tá.  






quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Capítulo 345

Política e relacionamento têm tudo a ver. Um mês e meio para o primeiro turno e Aécio não era nem cogitado para um eventual segundo turno. Era o cara com o qual a garota nem sonha em sair, apesar de saber do interesse dele. Convenhamos, parecia em cima do mundo, não dava muita certeza se queria estar ali ou não, passou indecisão perdeu para os concorrentes.

Na semana da eleição do primeiro turno, Aécio teve um ponto a favor: uma das últimas pesquisas divulgadas mostrava o crescimento do candidato. A pesquisa, no caso, é aquela amiga que fala “ah, por que não dá uma chance pra ele?” Sempre tem uma boa alma metida a ser cupido, ainda que torto, mas sempre tem.

Último debate. Aécio firme, com vontade, respostas prontas e preparado. Aqui não precisa traduzir muito, né? Atitude e se mostrar confiante contam sempre a favor. PS. Confiante e não arrogante. Nunca confundam.

Véspera do segundo turno. Aécio é incrível. É a mudança, família perfeita, neto de Tancredo, é o bom moço que vai salvar o Brasil. Nesse estágio, já rolou tudo: o casal já saiu, já transou e foi incrível. Tudo o que o outro faz e fala é engraçado, nunca é demais estar junto. Típico começo de relação. Não há espaço para defeitos, o que é muito bom. Ninguém precisa escancarar que às vezes acorda de mau humor; que fica inacessível assistindo jogo de futebol ou insuportável na tpm.  

Numa eventual vitória de Aécio. Como em toda posse, fica claro que nem toda promessa será fácil de implantar e mudanças nem sempre são bem-vindas. Há um misto de euforia pela conquista e o desespero ao se deparar com tantos problemas. Depois do “na alegria e na tristeza; na saúde e na doença”; o casal percebe que a vida de comercial de margarina só existe no comercial de margarina. Aqueles primeiros meses são de adaptação e muita paciência na convivência. Um misto de lua-de-mel e de filme de terror.

Viagens internacionais, falta de apoio no Congresso, diálogo truncado com alguns governos estaduais, muito a se fazer com pouca verba e pouco tempo: problemas que todo presidente enfrenta (o primeiro não vale pro FHC. Piada, gente !!) Estresse, trânsito, hora extra no trabalho, contas e rotina. São muitos os pontos a se contornar na vida a dois também.

Depois dos primeiros dezoito meses é possível fazer uma análise realista do governo, pra onde vai (se é que vai) e como anda. Aqui, você já sabe todas as manias, como lidar na alegria e na raiva e, se as pessoas não estivessem em constante transformação, seria possível dizer que você conhece o outro como a palma da mão. Se chegou até aqui grandes chances do saldo ser positivo.

Seja quem for o eleito neste domingo que seja um casamento de muita alegria para o Brasil. São os meus sinceros votos.




segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Capítulo 344

Quando era adolescente que eu e minhas amigas tínhamos nossos planos para atrair a atenção das nossas paixonites. Tudo tinha um fundo “sem querer”. Estava passando pela porta da casa do rapaz “sem querer”, entrava na mesma academia do sujeito “sem querer”, aparecia na mesma festa “sem querer”. Claro que muitas vezes ficava mega explícito, mas era o nosso jeitinho de meninas ainda tentando chamar a atenção. Anos depois, temos muitas histórias que hoje conseguimos rir e achar graça de tantos micos vividos.  

A gente chega na casa dos 30 anos e acha que a maturidade nos deixará imune de atitudes duvidosas para chamar a atenção. (Bom, eu e minhas amigas paramos com os micos). Mas, eles continuam presentes e aparecem do outro lado. Sei lá, pensei em muitas hipóteses (defeito meu: sempre penso em muitas possibilidades para que, ao menos na minha cabeça, as pessoas sejam mais legais e interessantes do que às vezes são mesmo), mas não consegui encontrar explicação plausível para uma pessoa que adiciona/exclui/adiciona de novo em todas as redes sociais - que no meu caso se resume na tríade Facebook/Instagram e Linkedin. O que explica a demora pra eu ter pensado “mas eu já não tinha essa pessoa na minha lista?” mais o fato de não interagir com a pessoa. Aí chegam as possibilidades:

- A pessoa pode ter feito um novo perfil
Não é o caso porque já tinham muitas publicações antigas e azamigas confirmam que não rolou nada disso com elas e tá tudo normal.

- A mulher pediu/exigiu/ordenou/fez chantagem
Ainda que sem motivos, de novo, já que mal conversamos, cada um sabe qual ex incomoda mais. Ou às vezes todas. Opções, medos, inseguranças, versões de histórias mal contadas, seja o que for eu entendo. (Entender diferente de fazer igual)

- A pessoa faz por hobby/confusão/ porque quis
Sabe aquelas trapalhadas que mãe faz na internet? Vai curtir e compartilha a foto? Comenta no perfil dos amigos? Pode ser..hmmm, mas também não é. Ainda que seja uma pessoa que não nasceu com a cara no tablet entende bastante de mundo virtual. Não descarto o hobby. E nem o simples porque quis e só isso.

Seja o que for, até consigo rir (muito) de todo recibo passado e, depois de ter descoberto a brincadeira, agora é só não aceitar. #diganão






terça-feira, 16 de setembro de 2014

Capítulo 343

Quem frequenta muitos testes - como é meu caso - vira e mexe se depara com crianças de todos os tipos: ricas, que chegam com uniformes de colégio bilíngue dos Jardins, de escola pública, classe média, pobre, do interior, acompanhadas pelas avós, mães, pais, tias e, claro, babás. 
O que elas têm em comum? Muitas faltam à escola para ir aos testes, um tanto não têm talento e nem a mínima vontade de estar ali. Porém, são levadas pelos pais que enxergam aquele ser de olhinho claro como o futuro astro da tv. Aí, essas crianças são submetidas a longas esperas, o que é muito cruel para uma criança. Desde pequeno já aprende a esperar sem fazer nada, não pode fazer barulho porque estão gravando no estúdio, correr muito menos porque não pode se sujar, não pode bagunçar cabelo e tem que estar com uma maquiagem levinha. São muitos absurdos permitidos pelos próprios pais. Isso sem citar que já ouvi algumas vezes mãe falando "tá demorando aqui, você vai ter que ir pra escola sem almoçar mesmo". 
O caso da Vogue Kids - em que os pais podem virar réus do caso (entenda o caso) - é só mais uma prova de como vale aceitar qualquer trabalho desde que o filho apareça e ganhe um dinheiro. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Capítulo 342

Todo ano eleitoral é a mesma coisa. Propostas para educação, saúde, segurança pública, economia e a velha expectativa que temas sensíveis entrem nesse seleto grupo. Entre eles: o aborto. Faço parte dos que acham que a legislação não precisa mudar. Mas, ainda assim, acho sempre válido ouvir os argumentos contrários. Vejo gente justificando que as mulheres precisam ter o controle sobre seu corpo. Peraí, já não temos? Não comemoramos desde a década de 1960 o surgimento da pílula anticoncepcional que nos possibilita transar com quem quiser, quantas vezes quiser e... olha só: não engravidar?!! 

A mulher é muito dona do seu corpo, talvez não seja das suas atitudes. É, pode parecer fácil falar quando a cada dois dias uma mulher morre no Brasil em função de um aborto (dado 2013). Aí entra minha dúvida: será que não é melhor investir em educação sexual e conscientização? Não é mais fácil prevenir do que remediar? Afinal, todas as matérias que já li sobre o tema mostra o quão traumático e dolorido é o processo pra mulher. De novo, na mesma tecla: não é melhor evitar? São muitas justificativas e confesso que quando ouço algumas penso seriamente em mudar de opinião. Aí tem a lei de ação e reação. Tudo que fazemos tem uma consequência. Não dá pra atravessar a rua com o farol vermelho e reclamar de ser atropelado. Acredito que o esforço tenha que ser para que o aborto não aconteça e não em legalizá-lo. E segue a programação de olho nas propostas para educação, saúde, ....