domingo, 19 de abril de 2015

Capítulo 347

Ser humano é um bicho engraçado. Passa mais tempo da vida buscando garantias do que se abrindo para viver. As certezas que nem sempre são certeiras. O universo ainda nos deve tantas respostas. Fico pensando se a vida seria incrivelmente perfeita se fosse como aqueles voos que mudam a rota quando detectam uma turbulência a quilômetros de distância. Mas o que é perfeição? O que é dar tudo certo? É não sentir um chacoalhão de vez em quando e pensar “será que eu vou morrer?”  E daí começar ouvir internamente a música do Titãs “devia ter feito isso e aquilo mais e mais” (ok, não sei cantarolar, mas um google resolve  questão). Se usamos somente 10% da capacidade do nosso cérebro, que dirá de nossas ações. O mundo seria um lugar melhor se ninguém jogasse lixo nas ruas, mas esse post não é sobre conscientização da sociedade.

Tem gente que já voou tanto de teco-teco que, quando entra num avião que faz rotas internacionais, leva todos os seus receios e comparações. E, por mais óbvio que possa parecer, você precisa de alguém para lhe garantir que é um modelo muito melhor, que você vai voar a sei lá quantos mil pés a mais, mesmo com turbulências você vai sobreviver e quando pousar você terá chegado mais longe e num destino pronto para descobertas. O teco-teco é rapidinho, aqueles namoros de fim de semana. Você entra naquele negócio com portas mequetrefes e janelas que você passaria facilmente, mas é essa a intenção. Você não atravessa um oceano num teco-teco e nem chega a uma altura considerável. Qualquer eminência de perigo você logo pula. Sai com alguns arranhões e machucados. Já num voo internacional você fica a eternidade (é a sensação, né, não?) e, se você tiver a sorte de conseguir uma passagem na classe executiva, você olha por aquela janelinha que só cabe o seu rosto e pensa “eu poderia morar aqui”; “eu poderia assar um bolo e comer assistindo um filme”; “eu poderia dar uma sambadinha aqui”. Você chega num determinado destino e pode fazer planos de uma nova viagem porque aquela aeronave aguenta o tranco.

 E se a sua companhia não estiver afim de fugir de turbulências, ainda assim, a chance de um desastre é praticamente nula. Isso foi o que me garantiu o inglês que estava ao meu lado no meu último voo (sem metáforas). Com toda minha inquietação, dei crédito a ele quando descobri que ele já havia voado não sei quantos milhões de horas e ganhado uma mini réplica de um modelo x da LAN (desculpem as informações não tão precisas :P). Em caso de turbulência num Airbus, por exemplo, o maior perigo não é o avião cair, mas você se machucar porque estava sem cinto.
Bom, chego nessa etapa do texto já meio sem certeza da sua qualidade, uma turbulência interna. É aquele momento que o ser humano precisa de garantias, de uma mão carinhosa sobre a sua que segura com todas as forças o apoio da poltrona e sussurre que tudo ficará bem. O ser humano é um bicho engraçado...


De qualquer maneira, o Blog Do Décimo Segundo Andar agradece a sua preferência. Até o próximo voo. 

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