quinta-feira, 23 de abril de 2015

Capítulo 348

E até quem me vê na fila do pão sabe que eu peguei um bode dos colunistas que escrevem sobre relacionamento. Por que? A fonte é sempre a mesma: fórmulas mágicas de como se relacionar e como a perfeição existe em cinco mil caracteres. “Se você ficar cinco dias sem olhar a rede social do outro para de sentir ciúmes”, “se chegar a dez sem ver pessoalmente tá pronto pra outra”. Meu querido, vá à merda, prazos e datas soam pior que aquelas promessas de amarração em poste “trago seu amor de volta em sete dias”.

Quando a intenção é valorizar a mulher o tiro sai ainda mais pela culatra. “Você é linda, com suvaco peludo, gordinha, sendo a chata que liga toda hora, etc, etc..” Não, amiga, você não é linda com nada disso não, ainda que colunistas e a Dove te façam acreditar nisso piamente. Senso é tudo nessa vida. Gisele Bundchen é linda, consenso geral. Se ela tem seus defeitos (porque ela tem) é outro papo. Beleza você vê de cara, no entanto, a feiura não descarta outras qualidades. Então, sem melindres.
Aquele texto todo no imperativo “fique com alguém que não tenha problemas e assuntos mal resolvidos, que seja assim ou assado”. Na última linha você tem a certeza que a descrição é a de um Frankstein. Como exigir tanta perfeição do outro quando nem a gente chegou lá? É uma posição cômoda e egoísta “eu mereço algo com tudo isso e que faça sempre coisas incríveis”. Se enxergar e reconhecer os seus 50% é um exercício que faz bem.

Gosto de gente da vida real, que não senta em um trono e só levanta o dedo para dizer está certo ou errado. Fique ou fuja. Gente que ensina com suas histórias e experiências, que sabe consertar, que tem consciência que só de tentar ser melhor já é mais difícil do que matar um leão por dia. Não adianta sonhar ganhar na Megasena se você nunca faz uma aposta.

Pra fechar um vídeo que mostra que a questão não é sobre certo ou errado:








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