domingo, 30 de agosto de 2015

Capítulo 354

Alguém disse que cada língua que se fala é uma vida a mais que se tem direito. E foi atrás disso que eu fui: mais uma vida, uma vida nova, porque ao contrário do Djavan, se alguém me perguntasse “quer saber se quero outra vida? ” A resposta seria um sonoro SIM !!! E foi um junho inteiro pensando para onde eu iria: poderia dar uma turbinada no inglês ou no espanhol, sair do básico francês e finalmente ir para o intermediário, porém, eu não teria direito a mais uma vida. Era preciso uma língua nova. E foi aí que eu encontrei o italiano. Ou ele me encontrou. Ou nos encontramos e seremos felizes para sempre. O meu lado mais prático e racional me questiona até hoje por que raios italiano? Um idioma que se fala somente na Itália, que dificilmente usarei na minha carreira e tirando quando por acidente paro na RAI, quase não se ouve por aqui. Aí meu lado criativo e sonhador responde: ainda assim só poderia ser o italiano. Que idioma é mais sonoro no mundo? Italiano fala com as mãos, fala alto e fala com toda emoção. Até meu nome é muito melhor em italiano, com o primeiro “a” aberto, diferente do jeito anasalado brasileiro. Eu devo ser melhor na versão italiana. Não é possível imaginar tristeza, as pessoas abrem a boca, sai uma melodia e um sorriso para dizer simplesmente “attraversiamo”. Deve ser tarefa árdua sofrer na Itália, deve ser impossível dizer não. E o que dizer de uma culinária na qual deveria ser obrigatório comer e rezar ao mesmo tempo de tão boa?!! Pizza, massa, bruschetta, queijos, tiramisù, o melhor sorvete do mundo.  Acho que minha versão italiana teria que correr uns 15 km por dia ao invés de 5km. Os italianos ainda são fanáticos por futebol, adoram carro, moda e mandam bem no cinema. Eles sabem o que é bom, come non innamorarsi? Como não me lamentar não ter ido para Roma, não ter ficado mais na Itália ou ainda não ter voltado? Paris que me desculpe, mas Roma, ah Roma, muitos suspiros, a cidade eterna só deve ser a cidade mais romântica do mundo. É o mínimo que eu espero da cidade que é AMOR de trás para a frente, porque amor não tem ordem, você sente e só enxerga quando sai do óbvio. Deve ser por isso que não fui pra Roma? Deve ser por isso. Eu olho o mapa no fundo da sala, sonho com Roma, aí lembro da Costa Amalfitana que eu quero ir de ponta a ponta, começo a calcular quanto tempo seria necessário, onde pararia e desejo por um segundo ser daquelas pessoas que o básico está bom, que se contentam com o que tem. Só por um segundo, no seguinte já estou pensando que quero incluir Milão também nesse roteiro, andar por onde não passei na primeira vez. Ainda poderia ir para Florença, Nápoles, Gênova, Siena, Turim...No fim das contas vai dar para usar muito o italiano. 

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